O mercado raramente ignora aquilo que compreende
Quando uma empresa enfrenta dificuldades para crescer, uma explicação costuma surgir rapidamente: falta de visibilidade. A conclusão parece lógica. Se mais pessoas conhecessem o negócio, mais oportunidades apareceriam. Se mais clientes encontrassem a empresa, mais vendas aconteceriam.
Embora isso possa ser verdade em alguns casos, existe outro problema que costuma passar despercebido. Muitas empresas não sofrem por serem desconhecidas.
Sofrem por serem difíceis de compreender. As pessoas até encontram o negócio. O que não conseguem é entender claramente por que deveriam lembrá-lo.
A mente humana simplifica o mundo
Todos os dias somos expostos a uma quantidade enorme de informações. Pessoas, marcas, conteúdos, produtos e serviços disputam espaço dentro de uma atenção limitada. Para lidar com esse excesso, o cérebro desenvolveu uma estratégia simples: simplificar.
Em vez de armazenar todos os detalhes sobre cada empresa, ele cria atalhos mentais. Procura associar marcas a ideias, características ou especialidades específicas. Dessa forma, torna mais fácil recuperar informações quando uma necessidade aparece.
O problema começa quando uma empresa não ocupa nenhum espaço definido nessa estrutura mental.
Ser lembrado depende de ser compreendido
Imagine alguém perguntando sobre um restaurante especializado em frutos do mar. Quase imediatamente alguns nomes vêm à mente.
Agora imagine alguém perguntando sobre uma empresa que faz um pouco de tudo, fala com todos os públicos e comunica dezenas de mensagens diferentes ao mesmo tempo. A lembrança tende a ser mais difícil. Isso não acontece porque a empresa seja ruim.
Acontece porque o cérebro possui dificuldade para armazenar aquilo que não consegue resumir. O posicionamento existe justamente para resolver esse problema.
Confusão consome atenção
Quando uma pessoa encontra uma empresa pela primeira vez, tenta responder perguntas básicas. O que ela faz? Para quem ela faz? Por que ela é diferente? Em que situação eu deveria considerá-la?
Quanto mais esforço for necessário para responder essas perguntas, maior tende a ser a dificuldade de criar uma conexão. A mente humana valoriza clareza porque clareza reduz esforço. Quando uma proposta é facilmente compreendida, a chance de ser lembrada aumenta.
Quando exige interpretação excessiva, a atenção costuma migrar para alternativas mais fáceis de entender.
Nem toda diversidade fortalece uma marca
Existe uma tentação comum em muitos negócios. A ideia de comunicar tudo ao mesmo tempo. Mostrar todos os serviços. Falar com todos os públicos. Tentar ocupar todos os espaços. À primeira vista, isso parece ampliar oportunidades. Mas frequentemente produz o efeito contrário.
Quanto mais mensagens competem entre si, mais difícil se torna construir uma percepção clara.
O excesso de possibilidades pode enfraquecer aquilo que deveria ser lembrado. E uma marca difícil de resumir costuma ser mais difícil de recomendar.
O mercado cria categorias espontaneamente
As pessoas organizam empresas da mesma forma que organizam praticamente tudo na vida. Criando categorias. Existe o restaurante para encontros especiais. O profissional que resolve problemas complexos. A clínica conhecida pelo atendimento humanizado. O hotel associado à localização privilegiada.
Essas associações raramente surgem por acaso. Elas são construídas ao longo do tempo através da repetição consistente de sinais que apontam para a mesma direção.
Posicionamento é, em grande parte, a arte de ocupar uma categoria mental específica.
Clareza gera lembrança
Uma empresa não precisa ser conhecida por todo mundo. Mas precisa ser facilmente compreendida por quem a encontra. Quando existe clareza, a lembrança se torna mais provável. Quando a lembrança se torna mais provável, as recomendações aumentam. Quando as recomendações aumentam, novas oportunidades surgem.
O caminho parece simples quando observado dessa forma. Mas tudo começa com a capacidade de transmitir uma ideia central que faça sentido para as pessoas.
Uma ideia que possa ser compreendida sem esforço excessivo.
Ser diferente nem sempre é suficiente
Muitas empresas buscam diferenciação. A intenção é válida. O problema é que ser diferente não garante compreensão. Uma proposta pode ser única e, ao mesmo tempo, confusa. Pode apresentar características exclusivas e ainda assim não conseguir ocupar um espaço claro na mente das pessoas.
Por isso, posicionamento não depende apenas de originalidade. Depende de clareza.
O mercado consegue valorizar aquilo que entende com facilidade.
Conclusão
Muitas empresas acreditam que seu maior desafio é ser conhecida. Em diversos casos, o desafio é outro. Ser compreendida. Porque uma empresa desconhecida ainda possui a chance de ser descoberta. Mas uma empresa que gera confusão encontra dificuldades para ser lembrada, recomendada e considerada.
Talvez por isso uma das perguntas mais importantes para qualquer negócio não seja:
"Quantas pessoas conhecem nossa marca?" Mas sim: "Quando alguém encontra nossa marca, entende claramente por que ela existe?"
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