Comportamento de Consumo

As pessoas não compram aquilo que não entendem

Existe uma tendência comum entre empresas de acreditar que a dificuldade está em convencer.

Quando as vendas diminuem, quando os contatos ficam mais escassos ou quando a concorrência parece ganhar espaço, a conclusão costuma apontar para a necessidade de argumentos melhores, ofertas mais atrativas ou técnicas mais eficientes de persuasão.

Embora esses fatores possam influenciar os resultados, muitas vezes o problema começa antes.

Antes de convencer alguém, é preciso que essa pessoa compreenda o que está sendo oferecido.

Essa etapa parece simples. Mas não é.

Empresas convivem diariamente com seus próprios serviços, produtos e processos. Conhecem detalhes técnicos, entendem diferenciais, dominam conceitos e utilizam termos que fazem sentido internamente. O cliente, por outro lado, enxerga tudo isso pela primeira vez.

O que para a empresa parece óbvio, para o mercado pode parecer confuso.

Clareza gera confiança

Quando uma pessoa encontra uma empresa pela primeira vez, ela procura respostas para perguntas relativamente simples.

O que essa empresa faz?

Para quem ela faz?

Como ela pode ajudar?

Por que eu deveria considerá-la?

Quanto mais rapidamente essas respostas aparecem, maior tende a ser a sensação de segurança durante a jornada de descoberta.

A clareza reduz esforço.

E reduzir esforço costuma aumentar a confiança.

Por isso, muitas vezes, empresas não perdem oportunidades porque possuem um serviço ruim. Perdem porque obrigam o cliente a trabalhar demais para entender aquilo que oferecem.

A confusão gera abandono

O comportamento humano possui uma característica interessante. Diante de informações excessivamente complexas ou difíceis de interpretar, tendemos a procurar alternativas mais fáceis de compreender.

Isso acontece em praticamente todos os contextos.

Quando uma explicação parece confusa, procuramos outra fonte.

Quando uma página gera dúvidas, voltamos para a pesquisa.

Quando uma empresa não consegue explicar claramente seu valor, continuamos procurando opções.

O abandono nem sempre acontece por rejeição.

Muitas vezes acontece por falta de entendimento.

E existe uma diferença enorme entre essas duas situações.

A simplicidade não diminui o valor

Algumas empresas têm receio de simplificar sua comunicação porque associam simplicidade à superficialidade.

Na prática, ocorre justamente o contrário.

Explicar algo complexo de forma simples costuma exigir muito mais domínio do assunto do que explicar utilizando termos técnicos e conceitos difíceis.

A simplicidade demonstra compreensão.

A complexidade excessiva frequentemente demonstra apenas excesso de informação.

Clientes não procuram aulas completas sobre determinado mercado. Procuram entender se aquela empresa parece capaz de resolver o problema que possuem.

Quanto mais fácil for construir essa percepção, maiores tendem a ser as chances de continuidade na jornada.

Toda decisão começa por uma interpretação

Antes de existir confiança, existe interpretação.

Antes de existir interesse, existe interpretação.

Antes de existir preferência, existe interpretação.

As pessoas observam sinais e tentam construir significado a partir deles. Avaliações, descrições, fotografias, conteúdos e informações públicas funcionam como peças que ajudam a formar uma percepção inicial.

Quando essas peças apontam para uma direção clara, a compreensão acontece com mais facilidade.

Quando enviam mensagens contraditórias, a dúvida começa a crescer.

E a dúvida raramente favorece a decisão.

O mercado recompensa empresas compreensíveis

Em um ambiente onde consumidores possuem inúmeras alternativas disponíveis, clareza deixou de ser apenas uma qualidade desejável. Ela se tornou uma vantagem competitiva.

Empresas compreensíveis exigem menos esforço.

Empresas compreensíveis reduzem dúvidas.

Empresas compreensíveis facilitam decisões.

Isso não significa simplificar excessivamente tudo o que fazem. Significa tornar visível aquilo que realmente importa para quem está tentando entender se vale a pena continuar avançando.

Conclusão

As pessoas não compram aquilo que não entendem.

Antes da persuasão existe a compreensão. Antes da confiança existe a clareza. Antes da escolha existe a interpretação que cada pessoa constrói a partir dos sinais disponíveis.

Por isso, nem sempre o desafio está em encontrar argumentos mais fortes ou estratégias mais sofisticadas. Em muitos casos, o verdadeiro desafio está em comunicar valor de uma forma que possa ser compreendida rapidamente.

Porque aquilo que não é entendido dificilmente será considerado.

E aquilo que não é considerado dificilmente será escolhido.

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