Quando uma empresa perde uma oportunidade, a explicação mais comum costuma ser a comparação.
O cliente comparou preços.
Comparou estruturas.
Comparou experiências.
Comparou benefícios.
E escolheu outra alternativa.
Essa interpretação faz sentido porque realmente existem situações em que decisões acontecem dessa forma.
Mas existe um detalhe importante que costuma passar despercebido.
Grande parte das empresas nunca chega a ser comparada.
Antes da comparação existe uma etapa anterior.
A consideração.
Primeiro uma empresa precisa entrar na lista de possibilidades. Só depois ela terá a chance de disputar a preferência do cliente.
E é justamente nessa fase que muitas oportunidades desaparecem.
Não ser considerado é diferente de perder
Imagine alguém procurando um restaurante para jantar durante uma viagem.
Ou pesquisando uma pousada para passar o fim de semana.
Ou tentando encontrar uma empresa local para resolver um problema específico.
Essa pessoa dificilmente analisará todas as opções disponíveis.
O volume de alternativas é grande demais.
O tempo é limitado.
A atenção é limitada.
Por isso, o cérebro reduz rapidamente o universo de possibilidades.
Algumas opções entram na lista.
Outras ficam de fora.
E aquelas que ficam de fora nunca chegam à fase da comparação.
Não perderam.
Simplesmente não foram consideradas.
A descoberta vem antes da preferência
Muitas empresas concentram seus esforços em convencer.
Buscam argumentos melhores.
Desenvolvem diferenciais.
Aprimoram ofertas.
Tudo isso possui valor.
Mas existe uma pergunta anterior.
Como alguém poderá ser convencido por uma empresa que sequer foi considerada?
Antes da preferência existe a descoberta.
Antes da descoberta existe a visibilidade.
E antes da visibilidade existe a capacidade de ocupar algum espaço na atenção das pessoas.
A sequência importa.
Porque nenhuma empresa pode vencer uma comparação da qual nunca participou.
A lista costuma ser menor do que parece
Quando alguém pesquisa um serviço, normalmente encontra dezenas de possibilidades.
Mas poucas chegam à fase final da decisão.
Algumas parecem pouco confiáveis.
Outras possuem poucas informações.
Algumas geram dúvidas.
Outras simplesmente não conseguem chamar atenção suficiente para permanecer na memória.
A consequência é que o cliente cria uma lista reduzida.
É dentro dessa lista que a disputa acontece.
Por isso, uma das perguntas mais importantes para qualquer empresa não é apenas "por que o cliente escolheu outra opção?"
A pergunta anterior é:
"Minha empresa chegou a ser considerada?"
O mercado trabalha por eliminação
Existe uma crença confortável de que consumidores procuram a melhor alternativa.
Na prática, eles costumam eliminar alternativas até restarem algumas opções aceitáveis.
O processo é muito mais próximo da exclusão do que da seleção.
A pessoa procura motivos para continuar.
Mas também procura motivos para descartar.
Informações confusas.
Avaliações insuficientes.
Ausência de evidências.
Falta de clareza.
Tudo isso contribui para reduzir as chances de uma empresa permanecer entre as opções consideradas.
O mercado moderno funciona muito mais por filtragem do que por análise profunda.
Ser considerado já representa uma vitória
Existe uma etapa silenciosa da jornada que raramente aparece em relatórios.
É o momento em que uma empresa consegue permanecer na mente do consumidor durante tempo suficiente para ser levada em consideração.
Essa conquista parece pequena.
Mas possui enorme valor.
Porque somente empresas consideradas possuem a oportunidade de demonstrar qualidade, apresentar diferenciais e disputar preferência.
Quem fica fora da lista perde a oportunidade antes mesmo de começar a disputa.
E muitas vezes sem sequer perceber que ela existiu.
Conclusão
A maioria das empresas acredita que está sendo comparada.
Mas muitas oportunidades desaparecem antes dessa fase acontecer.
Antes da preferência existe a consideração.
Antes da consideração existe a descoberta.
E antes da descoberta existe a capacidade de gerar atenção suficiente para permanecer entre as alternativas avaliadas.
Por isso, nem sempre o desafio está em ser melhor que os concorrentes.
Em muitos casos, o desafio está em ser lembrado, encontrado e considerado antes que a comparação comece.
Porque nenhuma empresa pode vencer uma disputa da qual nunca participou.
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